HISTÓRIA DO CLUBE INTERNACIONAL DO RECIFE

Nasceu Clube Regatas Ultramarino fruto da iniciativa de Antonio João d’Amorim, depois Barão de Casa Forte. Por várias vezes João d’Amorim foi presidente da Associação Comercial de Pernambuco e dirigiu o clube que fundou por treze vezes. Junto com os associados, que representavam a elite pernambucana, realizou a primeira reunião deliberativa do Regatas Ultramarino no dia 17 de julho de 1885, que teve lugar no primeiro andar de um sobrado colonial existente, de número 11, no Largo do Corpo Santo, bairro portuário da cidade maurícia.

Após essa reunião, a agremiação passou a ter outra denominação, Clube Internacional de Regatas, uma vez que – justificava a diretoria em notícia no Jornal do Recife, de 18 de julho – dela faziam parte pessoas de diversas nacionalidades. O recém-formado clube teve como dirigentes: Antônio João d’Amorim, presidente; Joaquim Alves da Fonseca, secretário; e João do Livramento, tesoureiro. Constituiu-se também uma comissão com a finalidade de elaborar os estatutos, da qual participaram: José Joaquim Pereira, Manoel Hughes, Euzébio dos Passos Cardoso, Arthur Dallas e João Victor da Cruz Alfarra.

A partir de 1914, a agremiação passou a funcionar na Rua da Aurora, 265. Em meados da década de 1930 viveu uma grave crise econômica. Com apenas 32 sócios a luta foi para salvar dois terços do seu patrimônio. A esperança de vencer a crise surgiu quando a Prefeitura do Recife adquiriu o prédio da Rua da Aurora para nele instalar o governo municipal. Paralelamente, crônicas e propagandas em favor do Clube foram publicadas em jornais.  Somente em 1937, com a venda desse prédio, foi adquirido, por compra, o Solar do Benfica, no bairro da Madalena, onde até hoje funciona a sede do Clube. Ainda em 1937, o edifício passou por reformas que incluíram a ampliação e adaptação de parte de suas instalações para atender às necessidades de entretenimento de seus associados. Dessa forma, a Assembleia Legislativa do Estado declarou o Clube de utilidade pública.

O Solar, em estilo colonial, de linhas soberbas e imponentes, domina a paisagem em frente à Praça Euclides da Cunha. Um artigo da revista Ilustração Brasileira, Rio de Janeiro, de 1942, destacou a importância do Clube para a sociedade pernambucana da época (“o maior e mais aristocrático centro diversional do Norte do Brasil”) e descreveu alguns aspectos de suas instalações: escadarias, azulejos, salões de dança – segundo o artigo, o maior existente no Norte do País  – de banquetes e de honra, colunas, jardins, móveis e decoração.

Ao longo de sua trajetória, o Clube Internacional do Recife também abriu suas portas para a promoção de concertos de música erudita, recitais, balé e, apesar da fama aristocratizante, para festas beneficentes.

Ficou famoso até os dias de hoje pela realização do Bal Masqué. Esse baile carnavalesco, criado em 1948 pelo então presidente do Clube, João Pereira Borges, e realizado pela primeira vez no salão nobre, dia 31 de janeiro desse mesmo ano, trazia além de fantasias e trajo a rigor, todo o ritual da tradição.

João Pereira Borges foi também o criador, em 1947, da revista Clube Internacional, “uma publicação gratuita e onde os associados do Clube Internacional do Recife se possam orientar quanto ao movimento de sua agremiação.” (MATOS, 1985, p. 59). A revista atingiu o sucesso quando o jornalista Altamiro Cunha assumiu sua direção. Ele fez desse periódico “mais do que uma Revista paroquialmente clubista. Deu-lhe movimentação, riqueza de textos, notícias multiplicadas e hábeis, nela ingressou figuras das mais representativas do nosso chamado mundo das letras […]”. Intelectuais pernambucanos como Mauro Mota, Edson Régis, Gilberto Osório de Andrade, Aderbal Jurema, Nilo Pereira, entre outros, que tinham ou não seus artigos publicados na revista, foram unânimes em reconhecer sua relevância como registro das atividades do Clube, da vida social da cidade do Recife bem como fonte de estudos literários por conter em boa parte de sua páginas poemas, poesias, crônicas, contos e artigos.

Outra iniciativa, dessa vez do presidente José Jorge de Farias Sales Filho, foi o Vôo do Frevo que tinha como objetivo difundir e divulgar o carnaval pernambucano, em especial o frevo. De 1968 até 1984, foram realizados cinco vôos que tiveram como destino o Rio de Janeiro (primeiro e segundo vôos), Manaus, Fortaleza e Miami.

Além de convidados especiais, representantes dos principais clubes da cidade e dos Interclubes da Paraíba e Alagoas, o Vôo do Frevo levará para apresentações especiais no Rio duas das nossas melhores orquestras: Nelson Ferreira e José Menezes, afora passistas e compositores. […] Com vistas a uma maior divulgação, a comitiva leva para distribuir no Rio milhares de exemplares do último número da revista Clube Internacional e do compacto [disco de vinil de pequenas dimensões, gravado em 33 1/3 ou em 45 rotações por minuto] gravado pelo Mocambo, Carnaval no Internacional (frevo-canção) e Clube Internacional (valsa) de autoria do maestro Nelson Ferreira. (MATOS, 1985, p. 63).

Em 1985, ano do seu centenário, a agremiação, na pessoa do seu presidente, Jose Paes de Andrade, promoveu uma série de eventos comemorativos, dentre os quais, se destacam: Festival do Chopp, 1º Voo Internacional do Frevo, Campeonato de Tênis dos Clubes Campeões da Região, Noite da Cultura, Apresentação da Orquestra Sinfônica de Pernambuco, Baile Oficial do Centenário.

O Clube, com mais de um século, viveu diferentes realidades. Nasceu no período imperial chegou à República. Atravessou quedas e ascensões e chegou aos nossos dias ainda associado à paisagem social do Recife. A postura exclusivamente aristocrática foi modificada a partir da gestão de Jose Paes de Andrade. Democratizou-se, abriu-se à sociedade como um todo e abriga, atualmente, shows de grupos musicais de forró, funk, tecnobrega, reggae, entre outros.